Análise: leilão de carros de Belém (junho)

Na nossa última postagem, fizemos uma análise do leilão da Receita Federal de Belém, dando destaque para os iPhones. Agora, vamos fazer uma análise do leilão de alguns veículos arrematados nesse mesmo leilão.

Leilão de Belém: veículos

Como prometido na nossa última postagem, em que analisamos os valores pelos quais os iPhones foram arrematados, vamos fazer aqui uma análise do leilão de veículos. Os veículos não chamaram tanta atenção quantos os celulares, porém existiam boas oportunidades de se arrematar carros baratos. 

O leilão contava com 25 lotes de veículos disponíveis também para pessoas físicas. Assim, vamos destacar alguns dos veículos arrematados no leilão.

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Análise do leilão

Lembramos que, de acordo com o item 9.4 do edital, é cobrado ICMS  sobre o valor final de arrematação. Existem alguns leilões que não cobram ICMS sobre o lotes de veículos, porém, como o edital não discrimina lotes, vamos assumir que todos os lotes pagaram ICMS. Lembramos ainda que o ICMS  no Pará é de 17%.

Então vamos aos lotes.

Lote 4: Mitsubishi Signo Plus 2008, placa venezuelana. Lance inicial: R$3.500,00

Esse lote não foi arrematado, provavelmente pela grande dificuldade de se saber o valor de um carro desses no Brasil. Conseguimos algumas informações sobre esse veículo somente em sites venezuelanos. É provável que esse modelo não tenha sido lançado no Brasil, o que gerou desconfiança, fazendo com que o lote não fosse arrematado. 

É compreensível que os participantes não tenham tido interesse nesse lote, porque é um carro que não tem no Brasil. Imagine só a dificuldade que deve ser encontrar alguma peça para esse veículo. Até mesmo a regularização desse veículo deve ser muito difícil no Brasil. 

Lote 10: Fiat Siena 2010, placa venezuelana. Lance inicial: R$3.200,00

O fato de a placa ser venezuelana impede que, somente com as informações fornecidas pela RFB, saber o modelo do veículo. Um Siena 2010 1.0 simples tem valor na tabela FIPE de cerca de 19 mil, enquanto a versão 1.4 chega aos 23 mil. 

O veículo foi arrematado por R$7.000,00, que com o acréscimo de ICMS chega a R$8.190,00. É possível ver pelas fotos que o veículo necessitará de alguns reparos, como no farol dianteiro e no capô. Além disso, existe o custo de regularização do veículo no Brasil e o tempo que esse processo pode levar. Mesmo assim, desconsiderados esses custos, o veículo foi arrematado por um valor muito baixo. Mesmo após os reparos e regularização, é provável que o custo total ainda seja 30% menor que o valor da tabela FIPE do veículo. 

Obviamente que analisamos o carro somente por fotos e não sabemos se existem outros defeitos mais graves no veículo. Essa análise mais profunda só é possível através da visitação.

Caso o veículo não esteja com algum problema mais grave, é possível concluir que o arrematante fez um bom negócio.

Fiat Siena foi arrematado por 7 mil. Imagem: Receita Federal.

 

Lote 20: Chevrolet Epica 2007, placa venezuelana. Lance inicial: R$4.500,00

Mais um carro que não é fabricado no Brasil, sendo difícil encontrar informações sobre o veículo. Pelas fotos, o carro estava em muito bom estado, o que deve ter levado o arrematante a se arriscar. O veículo foi arrematado por R$10.120,00, com ICMS, R$11.840,40. Um valor até um pouco elevado, visto que o risco é bastante alto. Além disso, existe o problema de se regularizar o veículo no Brasil.

Esse negócio foi muito arriscado. Se todos os custos com o veículo chegarem a um valor total de 14 mil, o carro deve ter que valer pelo menos 20 mil para que o negócio tenha sido bom. O problema é que um veículo desses deve ter uma revenda extremamente difícil. Assim, um negócio muito arriscado, de modo que não consideramos que ele tenha sido bom.

Chevrolet Epica foi arrematado em um negócio arriscado. Imagem: Receita Federal.

Conclusão

É comum que em leilões que acontecem na Região Norte do país vários carros tenham placas venezuelanas. Esse leilão de Belém tinha, inclusive, lotes em outras cidades, como Boa Vista. A proximidade com a Venezuela faz com que alguns carros apreendidos pela Receita tenham placas desse país. 

Isso faz com que as informações sobre os veículos sejam limitadas e que alguns modelos sejam desconhecidos do mercado brasileiro. Nesse leilão de Belém, analisamos 3 lotes. O primeiro não foi arrematado, justamente pelo fato de ser um veículo desconhecido no Brasil. O segundo foi um bom negócio e o terceiro foi um negócio bastante arriscado, em que, na nossa opinião, pelo risco o valor arrematado foi alto. 

Se quiser ver as informações sobre esse leilão já encerrado no site da Receita Federal, acesse: http://www25.receita.fazenda.gov.br/sle-sociedade/portal/edital/217800/2/2019